Nua. Completamente despida de tudo. Estou em frente a um espelho e observo minunciosamente cada parte de mim. O que vejo reflectido não faz sentido.
Não!!! Aquela não sou eu! Aquela que vejo ali, a olhar para mim com ar de espanto, não posso ser eu.
Não me revejo naqueles olhos cansados e tristes.
Não me reconheço naqueles lábios sem expressão.
Não me sinto com aquele peito tão absolutamente cheio de nada...
De onde é que aparecem aqueles braços tão perdidamente tombados?
Aquelas pernas esguias e fracas, de certo não podem ser as minhas...
Eu não sou aquilo.
Sou mais... Sou muito MAIS!
Porque
EU olho para o futuro com esperança...
EU tenho sempre o esboço de um sorriso nos lábios...
EU tenho o peito cheio de vontade de amar...
EU tenho braços fortes para agarrar a vida...
E acima de tudo
EU tenho pernas para nunca desistir de caminhar em frente!
Torno a ver. Perco-me em comparações entre o que vejo e o que sei que EU sou.
E sem me aperceber, já estás ali...
E agora és tu que me observas atentamente
Libertas a tua curiosidade, e perguntas:
- Que estás a fazer, mamã?
Olho para ti. Olho bem para a placidez dos teus olhos...
Respondo, aninhando-te mais uma vez no meu colo:
- Nada meu anjo... Nada...
E de repente tudo faz sentido.
O espelho apenas reflete a fraqueza do meu corpo.
Mas nos teus olhos...
Meu amor...
Nos teus olhos, reflete-se a força da minha alma!
Obrigada por existires.
K.