sábado, 26 de junho de 2010

O Senhor Extraterrestre



Vou contar-vos uma história
que não me sai da memória,
foi para mim uma vitória
nesta era espacial.
Noutro dia estremeci
quando abri a porta e vi
um grandessíssimo ovni
pousado no meu quintal.
Fui logo bater à porta,
veio uma figura torta,
eu disse: se não se importa
poderia ir-se embora,
tenho esta roupa a secar
e ainda se vai sujar
se essa coisa aí ficar
a deitar fumo para fora.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá o botãozinho
e pôde contar-me então
que tinha sido multado
por o terem apanhado
sem carta de condução.
O senhor desculpe lá,
não quero passar por má,
pois você onde está
não me adianta nem me atrasa.
O pior é que a vizinha
que parece que adivinha
quando vir que estou sozinha
com um estranho em minha casa.
Mas já que está aí de pé
venha tomar um café,
faz-me pena, pois você
nem tem cara de ser mau
e eu queria saber também
se na terra donde vem
não conhece lá ninguém
que me arranje bacalhau.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho,
disse para me pôr a pau,
pois na terra donde vinha
nem há cheiro de sardinha
quanto mais de bacalhau.
Conte agora novidades:
É casado? Tem saudades?
Já tem filhos? De que idades?
Só um? A quem é que sai?
Tem retratos com certeza,
mostre lá? Ai que riqueza,
não é mesmo uma beleza,
tão verdinho? sai ao pai.
Já está de chaves na mão?
Vai voltar para o avião?
Espere, que já ali estão
umas sandes para viagem
e vista também aquela
camisinha de flanela
para quando abrir a janela
não se constipar com a aragem.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
e pôde-me então dizer
que quer que eu vá visitá-lo,
que acha graça quando eu falo
ou ao menos para escrever.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse pi,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
só para dizer: Deus lhe pague.
Eu dei-lhe um copo de vinho
e lá foi no seu caminho
que era um pouco em ziguezague.

Cantado por Amália Rodrigues, Letra de Carlos Paião

Delicioso!!!!
E também quero um botãozinho, para quando as pessoas não entendem patavina do que eu quero dizer, eh eh eh!

K.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Já cá canta...

Já o tenho. O meu R... E aproveitei e pus-lhe uma borboleta também.
Falo da minha tatuagem. Tinha um "E" e um "D". Agora acrescentei um "R". Tenho literalmente os meus três filhos às costas. E não só. Tenho agora também uma borboleta. Linda. A voar. E rodeada de flores. Basicamente, tatuei a minha vida nas costas. As iniciais dos meus tesouros, e a borboleta, que sou eu. Com as asas a protegê-los. Sem esquecer os sonhos que a fazem voar. E as flores que são a sua paixão. Está lá tudo. E é assim. Num dia qualquer. Sem aviso. Que a borboleta quebra o casulo... e voa!
Janada, eu? Talvez... Mas são os "janados" como eu, que se movem por impulsos, por instinto, por paixão, e acima de tudo por amor, que fazem o mundo girar. Porque recuso-me, repito, RECUSO-ME a ser uma mera espectadora da minha vida. Porque EU faço a minha vida acontecer. E mal de mim nas vezes em que me deixei levar pela conversa de quem me menospreza. Repeat after me:

NEVER AGAIN!!!

K.