terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Sou...

Sou...

...Aquela que não existe,
Que não sente,
Que não se preocupa.

Sou...

...Aquela que espera,
Que deseja,
Que torna tudo mais escuro.

Sou...
Serei talvez...

...Aquela que espera existir,
Que deseja sentir,
Que se preocupa em tornar tudo mais puro!

K.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Vem...

Anda comigo para a lua
Vamos os dois bem juntos
A dar calor um ao outro.

Preciso de ti...
Quero-te mais que tudo na vida
Quero passar todos os limites contigo
E quero que os nossos corpos
Se fundam num só
E então encontrarei paz
Quando tu e eu...


Quero tocar-te, sentir-te, falar-te;
Amar-te até não poder mais.
Quero lutar, deixar de viver
Deitar-me contigo e morrer.


Vamos entrar um no outro
Quero saber o que vai dentro de ti.
Deitar-me a ouvir o teu coração
E deliciar-me com a sensação
de ter o teu corpo no meu.


Vamos voar
Alcançar as estrelas...
Não estas, mas outras
que mais ninguém tenha visto.
E sejamos felizes!


Vamos unir os nossos sangues
E morrer juntos.
Sejamos grandes
Sem chegar a ser ninguém...


Vamos unir-nos no mais sagrado acto
Que alguns teimam em chamar pecado...
Vamos...
Vem...
Entra em mim!



K.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Quero...

Quero fugir,
Perder-me num lugar qualquer
Quero sair
sentir-me outra vez mulher

Quero viver em paz, em harmonia
Uma vida cheia de monotonia
Quero um caminho de curvas
Que me leve a um sítio direito...

Quero tocar em não sei quê
Quero sorrir, sem pensar
Sem problemas, sem chorar.

Quero morrer feliz
Sem pecado, nem perdão
Quero fugir,
E quem sabe um dia...
... Encontrar-me!


K.

Porquê?

Estou desesperada
Sinto-me um nada
Um pequeno vácuo
Num universo cheio
De coisas plenas e alegres.

Simplesmente deixei de ser eu
Eu queria, mas não consigo
É algo mais forte do que eu...

Sei que me tortura
Que me queima
E que me faz sofrer muito
Mesmo muito...

Estou desamparada
No meu próprio ( e único! )
Mundo de porquês
Para os quais não encontro resposta

Porque existo?
Ocupo um espaço
Que podia ser de alguém...
Alguém útil, amado
Querido e respeitado...
Alguém que tivesse
Uma razão para "ser".

Alguém... Não importa quem...
Alguém me dê a mão,
Me olhe nos olhos
E do fundo do coração me diga:
"Gosto de ti..."

Alguém goste de mim
Pelo pouco ou nada que sou,
Sem interesses, sem cinismos
Sem hipocrisias.

Raio de mundo cruel!!!

Não há...
Não existem motivos
Para que seja assim.

Mudem o mundo
Ou então...
... Mudem-me a mim!

Quero encaixar algures,
Poder não ser assim.

Quero... Queria...

Este mundo não é para mim!!!


K.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Perdão

Tormento, paixão, dor
Algo que me provoca calor
Uma fogueira que arde cá dentro
E gela, dá-me calafrios.

E faz-me chorar sorrindo
Faz-me sofrer sentindo
Faz-me correr parada
Cansar, descansada...

E todas as lágrimas caídas
desperdiçadas, choradas, sentidas
Perdidas, quebradas, sofridas

Fazem-me perceber o amor
Fazem enternecer o horror
E fazem-me esconder o ódio

E fazem perceber o calor
de tão grande sentimento.

Mente pérfida
Que te aproximas e afastas,
E me enganas
Fazes-me sentir enclausurada.

Prendeste-me, enganaste-me
Largaste-me
Assim, sem rumo a seguir

Prendeste-me com correntes
de ódio, amor, desventura
Mentira, calor e ternura.

Não passa... Não passará
E por isso não te perdoarei.

Por isso invento mil planos
De sofrimentos tamanhos
Que te irão fazer passar
Por um milésimo do que passei.
E pedirás perdão.

Esquecer-te... Eu esquecerei!
Perdoar-te? Isso não!...

K.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

De portas bem fechadas

Como a irritava o facto de ele andar sempre depressa. A ideia que ele tinha de que era um Às ao volante tirava-a do sério. Passava o tempo todo a suplicar-lhe que andasse mais devagar, mas quanto mais ela falava, mais depressa ele andava.
Numa noite, já farta de lhe pedir que abrandasse, e já sem mais um pingo de paciência, gritou-lhe:
- " Pára já o raio do carro, que eu vou a pé para casa."
Ele olhou para ela, lançou-lhe aquele sorriso de miúdo reguila que a fazia derreter-se e, abrandando um pouco, disse com suavidade:
- " Páro já..."
Virou para uma estrada de terra batida, estreita e rodeada de árvores e de mato bravo. Ao fim de muitos solavancos , e já a sentir que iria explodir de raiva a qualquer momento, ela gritou:
- " Mas que raio estás tu a fazer?! Pára já o carro!! Já te disse..."
Não acabou a frase, ele tinha parado. Ali... No meio do nada.
- " Vá! Não querias ir a pé? Vai então..."
- " Não podes estar bom da cabeça! Onde raio é que nós estamos?"
- " Parei, tal como querias. Ainda te queres ir embora a pé?"
Sem pensar na loucura do que estava prestes a fazer, respondeu-lhe:
- " Pois vou!..."
Abriu a porta do carro, saíu para a noite fria e escura de inverno, e sem saber em que direcção, andou com ar decidido.
Claro que, nem meio minuto se passou, sem que ele já estivesse ao pé dela.
- " Não acredito que ías mesmo!... És doida? Estamos no meio do nada!..."
- " Nem sequer quero falar contigo..."
E tentou continuar a andar, meio aos tropeções, já que meio do mato, cheio de lama, e sapatos de salto alto, não são de todo compatíveis.
Ele alcançou-a rapidamente, pegou-a ao colo, e depois de um beijo suave, disse:
- " Gaita!... Acho que nunca conheci ninguém tão casmurro como tu."
No meio de muitos "pára", "deixa-me" e "põe-me no chão", ele lá conseguiu levá-la de novo para o carro.
- " Agora vou portar-me bem, prometo."
Estava na altura de fazer as pazes.
Então ali, no carro, no meio do nada, começaram por beijar-se como selvagens ( aliás, faziam tudo assim, pareciam loucos ), e no meio de muitos amassos, literalmente arrancaram a roupa um do outro. Quando estavam já só de roupa interior, ela de tanguinha, soutien e meia de liga, e ele de boxer shorts, começaram a sentir que sufocavam com o calor que fazia dentro do carro.
- " Vamos lá fora, refrescar um bocadinho?"
- " Se calhar é melhor..."
Ele saíu. Ela saíu atrás dele...
E num gesto absolutamente mecânico, accionou o trinco da porta, e fechou-a.
- " Não!... Tu não...?"
- " O quê? Tranquei a porta? Oooops! Acho que sim... Não tens a chave?"
- " Claro que não!!! Estão lá dentro, na ignição! Não posso acreditar que nos trancaste fora do carro, semi-nus , no meio do mato!!! "
Em vez de tentarem arranjar uma solução desataram a gritar um com o outro. Nenhum tinha razão. Ao fim de meia hora de gritos, calaram-se ao ouvir a sirene de um carro de policia que passava na estrada estrada principal, e, numa atitude irreflectida, deitaram-se no chão. Estavam em silêncio, agora. Olharam um para o outro, e desataram a rir. De repente, ele calou-se outra vez. A lama que a cobria um pouco pelo corpo todo, realçava o lado selvagem dela, e tornava-a ainda mais sensual. Sentiu o desejo apoderar-se dele, e beijou-a. Tentou amá-la com calma, mostrar-lhe que queria abrandar. Mas o cheiro dela, misturado com o cheiro da natureza, realçado pelo estremecer do corpo dela em reacção às carícias dele, libertou o seu lado mais instintivo. Queria sentir que ela lhe pertencia. Que seria sempre só dele. Então, os seus movimentos tornaram-se mais bruscos e as suas carícias trasformaram-se em apertos. Ela apercebeu-se. E deixou-se levar. Sabia que lhe pertencia. E ele a ela. Só queria que ele a amasse, não importava como. Foi num ápice que explodiram de prazer. Deixaram-se ficar. Assim estendidos no meio no nada, cobertos de amor e de lama, até que começaram a sentir frio.
Levantaram-se. E agora muito mais calmos, repararam que um dos vidros tinha uma fresta aberta. Forçaram o vidro para baixo, primeiro com varetas, e depois com as mãos.
Finalmente conseguiram abrir a porta. Vestiram-se sem dizer uma palavra.
No caminho de volta a casa, o velocímetro não acusou mais de 20 Km por hora, e não haviam carros a circular, faltava pouco para o sol nascer.
Ela chegou a casa, tomou um banho quente, e enroscou-se nos lençois macios da sua cama. Depois de rever na sua mente todos os momentos passados naquela noite, teve de abafar as gargalhadas contra a almofada. A sensação de triunfo era do tamanho do mundo.
Sem querer, por uma vez, tinha conseguido que o acelera andasse 15 Km a não mais de 20Km/

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O que sentes?

Talvez nunca te tenha,
Ou talvez sim...
Quem sabe?
Mas cá dentro
Bem na alma
Já tenho uma metade.
A outra não me dás
Não sei porquê, nem porque não
Mas já te guardo bem dentro
Do meu pobre coração
Que sentimento é?...
Não sei,
Talvez sempre e só
Uma enorme e fatal atracção
Que me trai e
me faz cair no chão.

Acontece de cada vez que te vejo
Todos os milímetros do meu corpo
Tremem de desejo
De te ter ao pé de mim
Para mais uns minutos de prazer
Para que por um
pouco mais de tempo
Possa sentir que és
Um bocadinho meu...
Vem, faz-me sorrir
Engana-me, e diz-me que te sentes
Um pouquinho só como eu!...

K.

Chora

Chora pequena, chora
chora, que chorar não faz mal
Chora pequena , e desabafa,
que paixão como essa nunca vi igual...

Se o teu coração sofre
e lágrimas de sangue solta
deixa-o soltar pequena
tua paixão nunca mais volta

Se te sentes morrer
de cada vez que o lembras
tenta de vez o esquecer
que talvez não mais o tenhas

Se te odeia e tu teimas
em lembrar os seus abraços
não te esqueças pequena
do teu coração em pedaços...


K.

Quem Sou?

E tu, quem és?
Vejo-te e despertas em mim
uma ponta de curiosidade.
Quero saber quem és!
Passas altiva e olhas-me de soslaio
com olhos doces de lacaio.
Explica-me quem és, o que fazes aqui;
diz-me o que queres de mim...
És linda, imaculadamente bela
Pálida, maravilhosamente branca.
O teu cabelo, uma forte luz irradia
Qual sol brilhante do meio dia
Que ofusca, cega e ilude
lindo, mas sempre e só rude.
Diriges-te a mim,
Consigo ver as tuas formas
Pavoneias-te elegantemente
No teu andar altivo e firme
Que se distingue por entre a gente.
Estás perto, sinto-te respirar.
Ver... Já não vejo!...
Conseguiste-me ofuscar.
Pegas em mim; transportas-me docemente
E eu sinto-me limpa,
Talvez mesmo um pouco diferente.
Confusa, pergunto parar onde me levas...
Mas não, não importa
Porque me sinto maravilhosamente bem;
Vamos... Leva-me para o além!...


K.

Porquê?

A pergunta é clichê, mas porque raio nos apetece fazer um blog?
No meu caso, para guardar histórias e pensamentos. Histórias minhas, que realmente aconteceram, outras histórias que ouço no meu dia a dia, e ainda histórias que aconteceram somente na minha imaginação. Deixo um desafio... Que tentem descobrir o que foi real e o que não foi.
É com prazer que partilho a minha mente com vocês.


K.