sexta-feira, 18 de março de 2016

Tal como a rosa...

Ofereceram-me uma rosa.
Linda como só as rosas sabem ser.
Fechada, a prometer um desabrochar de Amor....
Coloquei-a numa jarra no meu quarto
E todos os dias ao acordar saudava aquela rosa
E todos os dias ansiava pelo seu aroma
Que seria libertado quando abrisse as suas pétalas tímidas.
E os dias passaram...
E a rosa não abria...
Olhei atentamente para ela
Numa pergunta silenciosa
Porque não abres?
Que te aconteceu para estares tão teimosamente fechada?
Numa resposta ( silenciosa também )
Ela deixou cair as pétalas
Junto ao caule tinha apodrecido.

Por vezes põem as rosas em frigoríficos
Confiantes que isso as preservá por mais tempo.
O que esquecem,
É que se as deixarem lá por demasiado tempo
Elas congelam, e esquecem-se do seu propósito.
E quando finalmente as tiram do torpor do frio
Elas já não sabem abrir
E então desmancham-se.
E o mundo perdeu o cheiro de ( mais ) uma rosa...
E eu pergunto-me...
Para quê preservar o que quer que seja
Por mais tempo do que tem para dar?
Um bem haja às rosas que ainda teimam em abrir
Mesmo que para isso tenham que durar menos tempo...

K.