Todos os silêncios são poucos. Todo o som é ruído. Toda a palavra é instrumento aguçado que fere. Seria bom que pudesse esconder-me numa câmara insonorizada. Shhhh... Shhh... E dize-lo como se faz a uma criança... Com um tom de embalar... Shhh... Shhh... Dorme, dorme... Dorme, dorme que eu já vou... ou venho, dependendo do tempo disponível na agenda apinhada de compromissos. Deixem-me sossegada. Shhh... Shhh... Como é que consigo pensar? Não consigo... Todas as tentativas se transformam em nada... E o tempo corre, corre... E eu nem olho para o relógio... E o dia nasce e morre... E eu nem cheguei a ver o sol... E a chuva vem e vai... E eu nem sequer me molhei... Pára... Pára... Shhh... Shhh... Dorme, dorme que eu já vou... Ou venho...
K.