Existem dois tipos de pedidos de perdão:
- Um genuínamente altruísta, aquele que vem de alguém que errou. Alguém que como ser humano falível que é, errou, e está verdadeiramente arrependido. Embora todos saibamos que o que está feito, feito está e já nada o pode mudar. Mas, existe neste tipo de pedido de perdão, uma certeza de que se se pudesse voltar atrás, ter-se-ía feito de outra maneira. Um arrependimento que se nota. Uma vontade enorme de se ter feito diferente. E este... Este eu perdoo. Porque sim. Porque de entre todos os defeitos que tenho, um não é de certeza ser rancorosa. Até posso nunca esquecer uma ofensa, até porque são lições que vou aprendendo, mas perdoo. Afinal de contas também erro, também sou humana. E também gostaria que me perdoassem todos os erros que cometi. Porque quando erro... Arrependo-me amargamente!!!
- Existe outro... Um pedido seco. Um pedido que vem pela necessidade de se aliviar a consciência. Uma coisa do estilo " Faria tudo exactamente da mesma maneira, mas desculpa lá qualquer coisinha, só para que eu não tenha que viver com este peso às minhas costas..." è um pedido de perdão egoísta. Que não tem nada a ver com o dano que se causou a alguém. Neste caso isso até nem importa absolutamente nada.
Quando ouço o primeiro... O meu coração de manteiga não resiste, e admito: Sou uma FÁCIL!!! Perdoo tudo. Pelo menos o que me é dirigido directamente a mim. Não aguento ver o arrependimento espelhado nos olhos de alguém. Porque eu sei o que é sentirmo-nos assim.
Agora... O segundo... Não me diz absolutamente nada. Soam-me a palavras vãs. E uma vez que a pessoa até nem está minimamente arrependida do que fez, então... Não há nada a perdoar. Se achou que fez tudo da maneira correcta, não há nada a fazer. Eu sei que não! E o universo também. E não me cabe a mim, ser tão insignificantemente pequeno, mostrar a quem quer que seja, o que é certo ou errado. Mas o universo não falha! Nunca falha... E mais tarde ou mais cedo encarrega-se de mostrar à outra pessoa porque errou. Para a fazer sentir na pele o que a sua acção provocou em alguém. O problema... O GRANDE problema, é que quando semeamos uma batata, não colhemos só UMA batata... Colhemos IMENSAS!!! E é por isso que quando me fazem mal, e não existe nenhum tipo de arrependimento, o que quero mesmo é estar bem longe dessa pessoa. Para que quando a justiça lhe cair em cima, a minha faceta de "Madre Teresa de Calcutá", não me leve a fazer de parva, e ainda levantar quem um dia me deitou a mim abaixo!!!
Porque afinal de contas... É a sofrer que se aprende!!!
K.