segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Geração micro-ondas...

Numa destas noites, enquanto estava a tratar do mais novo, a mais velhinha, num assomo de boa vontade, (como é hábito nela) grita-me da cozinha:
- Mamã, eu ajudo-te a fazer o leitinho do mano...
- Não filhota, deixa estar, que a mamã já vai tratar disso...
10 segundos depois, entra ela de rompante no quarto, com um ar muito aflito, como se tivesse acontecido uma grande desgraça...
- Mãe, mãe, onde é que está o micro-ondas?
Calmamente expliquei-lhe
- Querida, nesta casa não há micro-ondas...
E foi com um misto de ternura e de coração apertadinho que a ouvi dizer:
- Mas então, como é que vamos aquecer o leitinho do mano?
- Como se fazia antigamente meu anjo, no fogão. Por isso é que a mamã disse que já ía tratar disso.
Vencida mas não convencida lá saiu do quarto, com um ar muito pensativo.
Fui dar com ela, com o biberon cheio de leite na mão, a olhar para o fogão apagado. Assim que me viu entrar na cozinha, olhou para mim, e com a pureza de uma criança da idade dela, perguntou:
- Mas ó mãe, como é que tu vais fazer isso?
Interessa saber que mudei de casa, e é a gaita das coisas encastradas. quando nós saimos, elas ficam lá!
Mas o giro da coisa foi aperceber-me que a minha filha, de sete anos, nunca soube o que é viver sem micro-ondas... E nós que conseguimos viver tanto tempo sem ele!
Perdi a vontade de ter um!