domingo, 29 de junho de 2008

O fundo

Caí.
Caí muito depressa. E à medida que me aproximava do fundo todos ficaram a olhar.
Fez-me confusão, muita confusão que toda a gente se limitasse a ver-me cair. Não deixavam de estar por perto, mas pura e simplesmente ninguém fazia absolutamente nada.
Apeteceu-me por vezes gritar, pedir, implorar que me agarrassem. Era tudo tão assustador. Sentir o chão fugir dos nossos pés faz abalar todo o sentido da nossa existência.
Por fim, quando já estava completamente no fundo, a pensar que não iria ter força para me levantar, olhei para cima, e lá estavam todas as mãos estendidas para me ajudar a erguer. Todas e mais algumas das quais não estava à espera. Assim como faltaram umas quantas que pensei que existissem.
Resumindo
Às vezes o destino encarrega-se de tornar a nossa vida melhor. Só que para isso, temos de nos separar de algumas coisas que pensamos serem essenciais, mas que no fundo só nos pesam, e não nos deixam seguir em frente.
E por isso é que me deixaram cair. Sempre por perto para terem a certeza de que aguentaria a queda. Porque mais do que eu, todos acreditaram na minha força, e mais do que isso todos acreditaram que eu mereço ser feliz.
Obrigada a todos por me deixarem cair, e por depois me ajudarem a levantar.
Assim pude ver que o meu caminho não era o que estava a seguir.


K.