Vivo na escuridão,
Num pequeno buraco do mundo.
Quero sair, quebrar as correntes
Saltar para fora,
Ver a luz...
Vivo num mundo de mentira,
Queria viver no real.
Queria arrancar a tristeza
Da minha alegria.
Queria...
Mas querer não é poder.
Não posso saltar,
Rir ou chorar
Por causa das malditas
Malhas da humanidade.
Temos de nos comportar
De uma maneira aceite
Pela sociedade.
E para isso
Temos que permanecer sérios,
Inalteráveis.
Conhecer todos
Sem chegar a conhecer ninguém.
Eu tento... Mas não consigo.
E no escuro do meu quarto
Rebento...
Solto a raiva, a alegria,
A tristeza e o amor.
Porque cá fora
Não choro, não amo
Não rio, e não me enfureço.
Sou só indiferente
A todos os estimulos exteriores
Para tentar ser aceite.
K